Roda de conversa sobre maternidade, amamentação e trabalho reúne integrantes do MPT-ES

Encontro do Comitê Regional de Equidade, em alusão ao Agosto Dourado, contou com a participação da enfermeira e consultora internacional em lactação Ana Ferraz

Um espaço de diálogo, acolhimento e troca de experiências sobre os desafios enfrentados por mulheres para conciliar o aleitamento, os cuidados com os filhos e a vida profissional. Esses foram alguns dos assuntos da roda de conversa promovida pelo Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES), por meio do Comitê Regional de Equidade, nessa segunda-feira (25), em alusão ao Agosto Dourado. O encontro, realizado virtualmente, reuniu servidoras, servidores e procuradoras da instituição ministerial.

A atividade contou com a participação da enfermeira Ana Ferraz, graduada pela Universidade Estadual do Paraná, especializada em saúde materno-infantil com foco em amamentação, consultora internacional em lactação (IBCLC) e laserterapeuta. Os integrantes do MPT-ES também participaram da conversa, ao relatar experiências e promover reflexões sobre a maternidade e amamentação.

Rede de apoio

Durante a conversa, a enfermeira Ana Ferraz abordou mitos e tabus, esclareceu dúvidas relacionadas ao aleitamento materno. Ela também destacou a importância da rede de apoio para as mulheres. Segundo a especialista, a amamentação não deve ser encarada como uma responsabilidade exclusiva da mãe.

“Quando a gente tem mulheres solitárias, que não têm rede de apoio, quando o parceiro não participa do processo, é muito mais difícil para ela amamentar. A amamentação é uma entrega, uma doação da mulher ao recém-nascido”, explicou.

A palestrante também desmistificou a ideia de que existem mulheres com “leite fraco” ou de que o leite materno “vira água”. “Não existe isso em uma população saudável, com uma mulher bem nutrida. O leite materno não fica fraco nem vira água”, afirmou.

A profissional também comentou sobre crenças populares relacionadas ao aumento da produção de leite, como o consumo de cerveja preta e canjica. Ela alertou para o risco do consumo de álcool durante a amamentação e explicou que algumas dessas associações estão relacionadas aos ingredientes presentes nos alimentos, embora não haja evidência científica suficiente para recomendar alimentos específicos com essa finalidade.

Parceria

A necessidade de ampliar as informações sobre amamentação para além das mulheres também foi destacada durante o encontro. O servidor Matheus do Nascimento Sousa relatou que, apesar de ter acompanhado a esposa durante o pré-natal, não se recorda de ter recebido orientações sobre aleitamento.

“Minha filha vai fazer 8 anos. Acompanhei minha esposa durante todas as consultas de pré-natal, mas não me lembro de o obstetra falar sobre o aleitamento ou até mesmo orientar”, contou.

Já a servidora Dhiuriene Parmagnani Campanharo também ressaltou a importância da participação ativa dos parceiros nos cuidados com o bebê. Para ela, é necessário que homens e demais integrantes da rede de apoio compreendam que pequenas atitudes podem fazer diferença na rotina da mulher que amamenta.

“É o papel do homem na amamentação. Não existe ainda esse conhecimento sendo passado. O homem que pega o bebê no berço para entregar à mãe, que coloca o neném para arrotar enquanto ela se limpa e se ajeita, está participando do processo”, disse.

Segundo a integrante do MPT-ES, a ausência dessa parceria pode aumentar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres. “Isso causa muita dificuldade para nós, mulheres, no momento de amamentar, a ausência da parceria”, completou.

Conciliação entre maternidade e trabalho

A relação entre responsabilidades familiares e organização do trabalho também esteve entre os temas discutidos. A procuradora do Trabalho, Fernanda Barreto Naves, destacou a necessidade de que os ambientes profissionais considerem as demandas decorrentes da maternidade e da vida familiar.

“A OIT (Organização Internacional do Trabalho) tem uma convenção, a Convenção nº 156, que fala sobre encargos familiares e como as empresas têm que se flexibilizar para se adaptar às necessidades”, explicou.

Para a procuradora, medidas como o teletrabalho parcial e a flexibilização da jornada podem contribuir para uma divisão mais equilibrada das responsabilidades. “Isso, na verdade, é apenas a empresa praticando a função social dela”, afirmou.

Naves também chamou atenção para a desigualdade na distribuição dos encargos familiares. “O encargo pesa desproporcionalmente só sobre as mulheres. Isso não é justo”, ressaltou.

Confira um dos momentos: 

 

Crédito: Liege Nogueira (Ascom MPT-ES)

Publicado em de agosto de 2026. 

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