MPT- ES e Senac apresentam o Programa Inclusivamente para empresas
A proposta é fortalecer uma rede de cooperação capaz de ampliar oportunidades de qualificação profissional e empregabilidade, por meio do fortalecimento do diálogo entre empresas e instituições
A quinta-feira, 18 de junho, Dia Nacional e Mundial do Orgulho Autista, foi lembrada de forma diferente pelo Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES), juntamente com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-ES).
Representantes de empresas, instituições públicas, organizações da sociedade civil e pessoas com deficiência foram convidados a participar de um momento de reflexão sobre a inclusão social e o fortalecimento da diversidade no mundo de trabalho por meio da apresentação do “MPT convida à inclusão - Edição Senac: Programa Inclusivamente”. A iniciativa aconteceu no Inspira+ Senac Vitória.
A proposta é fortalecer uma rede de cooperação capaz de ampliar oportunidades de qualificação profissional e empregabilidade, por meio do fortalecimento do diálogo entre empresas e instituições, da sensibilização das organizações sobre a importância da diversidade e inclusão, da apresentação de oportunidades de capacitação profissional e do estímulo à oferta de vagas inclusivas. Também busca mapear demandas do mercado para a criação de novos cursos e formalizar parcerias estratégicas.
Adesão
O Programa Inclusivamente foi elaborado há um ano pelo Senac e, desde então, a instituição vem produzindo pilotos para que a iniciativa ganhe a adesão das empresas. Para simbolizar a parceria com o MPT-ES, Senac, Federação dasAssociação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Feapaes) e empresas foi assinado um documento para confirmar o compromisso.
Para criar um espaço de informação e conhecimento sobre o tema e incentivar a participação das empresas no programa, a procuradora do Trabalho e titular regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), Fernanda Barreto Naves, realizou uma apresentação orientando como as empresas devem proceder para incluir pessoas com deficiência no seu quadro de funcionários.
Responsabilidade social
“Essa responsabilidade social é de cada um nós, como sociedade, mas, também das empresas. O MPT incentiva, orienta, oportuniza, cria espaço de diálogo, e oportunidade. O nosso papel também é fazer essa função investigativa porque precisamos fazer cumprir uma lei que já existe há mais de 30 anos e que ainda é reiteradamente descumprida. É necessário, portanto, uma mudança de cultura, de modo a efetivamente eliminar o preconceito, fortalecendo a solidariedade social e o respeito às diferenças. E, assim, concretizando o mandamento da nossa Constituição Federal no sentido de construção de uma sociedade mais fraterna, mais justa e sem preconceito. Espero que vocês se sensibilizem e que esse aprendizado de hoje possa se transformar em garantia de emprego formal e inclusão para pessoas historicamente marginalizadas da nossa sociedade”, afirmou a procuradora.
Segundo a especialista de Educação Profissional – Saúde, no Senac-ES, Thaís Cristina Kiefer, a intenção ao apresentar o programa às empresas é chamar a atenção para essa parceria. “As empresas devem entrar em contato conosco. Nós somos a rede de educação na qualificação, as empresas têm as vagas. O Programa Inclusivamente é voltado para pessoas com deficiência, para as equipes que vão integrar, para as lideranças e para as empresas. O projeto temos acolhimento, acessibilidade, treinamento de equipe e de instrutores, adaptação da metodologia, implementação do acompanhamento, avaliação inclusiva, certificado acessível e inserção profissional. Apresentamos as possibilidades e as empresas retornam com as oportunidades”, destacou.
De acordo com o superintendente da Feapaes-ES, Vanderson Gaburo, o mundo do trabalho ainda é um ambiente muito hostil para a pessoa com deficiência. “Só para vocês terem uma ideia: somente 28% das pessoas com deficiência trabalham. Isso, acontece porque vivemos em uma sociedade capacitista, acostumada a construir rótulos e a não dar oportunidades para essas pessoas. Ser pessoa com deficiência, ainda hoje, é carregar estigmas da incapacidade, da inferioridade, do não tem condições, pois não compreende. E, tantas outras questões atreladas que não são ditas, mas, que estão no imaginário e nas barreiras atitudinais que perseguem as pessoas, explicou Gaburo.
Ele destacou, ainda que: “os processos são balizados para o padrão, eles não são balizados para a diversidade. Por isso, buscamos espaços como esse para dizer que é possível construir processos inclusivos. É possível se construir iniciativas de inclusão. É possível se construir oportunidades para as pessoas com deficiência, para os grupos marginalizados, para os grupos minorizados socialmente. É possível inserir as pessoas. Então, é possível fugir dessa sociedade capacitista”, finalizou.
Depoimentos
Antônio Ernesto de Fonseca e Oliveira, chefe da Defensoria Pública da União no Espírito Santo – “É uma honra estar aqui participando deste evento, que faz parte desse grande movimento que o MPT promove, que capitaneia aqui no Estado, no país inteiro, que fala das Diferenças que Somam, e aqui trabalhando mais especificamente na inclusão, na empregabilidade, e isso é de grande valia. Porque a partir do momento que a gente consegue combater alguns estereótipos, consegue trabalhar no sentido de garantir a empregabilidade e a inclusão de todas as pessoas, com suas diferenças, com suas características, quem ganha somos todos nós a sociedade. Cada um com suas especificidades tem que colaborar e contribuir para a sociedade”.
Hugo Fernandes Matias, defensor público e coordenador de Direitos da Pessoa com Deficiência da Defensoria Pública Estadual – “Hoje nós estamos no Programa Inclusivamente do Ministério Público do Trabalho, com diversos atores e diversas instituições. E essa reunião é importante porque demonstra a potência do trabalho em rede. A Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo está à disposição da população nessa data, no dia 18 de junho, Dia do Orgulho Autista, e quando precisar. Nós, inclusive, lançamos uma nova cartilha para as famílias atípicas, no sentido de que estamos à disposição para contribuir. Parabéns ao MPT, parabéns a todos que estão presentes aqui no projeto, no Programa Inclusivamente”.
Henrique Xavier, representante da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional ES – “É um evento que tem uma importância muito grande para discutir questões íntimas na inclusão das pessoas com deficiência nas empresas, e isso de fato é algo que precisa ser enfrentado, discutido e aprimorado, cada vez mais. Vivemos um momento de modificações das relações de trabalho em que essas pessoas precisam ser incluídas e ter espaço nas empresas, com cargos de gestão, cargos de liderança. E, para isso, precisam de oportunidade como essa do Programa Inclusivamente”.
Crédito:
Texto: Alcione Coutinho
Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo
Assessoria de Comunicação
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Publicado 19 de junho de 2026.





